Sete Lagoas – Logísticas para o Século XXI

*Nelson Dantas

A chegada da Estrada de Ferro Central do Brasil em Sete Lagoas no ano de 1896, 29 anos após o município ter se tornado independente , foi um marco no desenvolvimento econômico da cidade. Três anos após, foi inaugurada a nova capital mineira que estava sendo transferida de Ouro Preto para uma região mais central do estado e foi a
ferrovia quem assegurou a chegada dos materiais de construção e possibilitou o abastecimento da nova capital.
Foi graças a ferrovia que Sete Lagoas pode desenvolver já que passou a ter a possibilidade de se integrar a grandes centros fornecendo produtos para a nova capital da província e, principalmente, a possibilidade de abastecimento da capital federal, Rio de Janeiro que consumia largamente produtos agrícolas, pecuários, laticínios, material de construção e outros enviando produtos industriais, cerveja, vinho e outros.

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A chegada da Estrada de Ferro Central do Brasil, a mais importante empresa brasileira da época, assegurou
vantagens competitivas com relação a outros centros produtores e a mudança da capital da província influenciou
positivamente a cidade. Além de melhorar a logística, Sete Lagoas deve muito do seu crescimento urbano pela
chegada da Central do Brasil que montou na cidade uma importante oficina ferroviária além de contratar centenas de funcionários.

O Trem do Sertão era o trem da Central responsável pelo escoamento da produção de toda região que começa em Sete Lagoas, ultrapassa Montes Claros e vai até o Norte de Minas. Também passou a fazer a integração com a Bahia através do rio São Francisco onde a ferrovia chegou em 1910 na cidade de Pirapora e depois com o encontro dos trilhos que chegavam da Bahia em Monteazul – a partir de 1948. Esse trem circulou até 17 de dezembro de 1992 quando foi feita a última viagem. Hoje, a bela Estação de Sete Lagoas virou o Museu Ferroviário da cidade dando ao seu frequentador tanto a ambientação de viajar no tempo como ter um pouco da experiência do que é viajar num trem de ferro.

No pós-guerra, dois fatores asseguraram a Sete Lagoas o seu protagonismo logístico: a opção pelo rodoviarismo
e a mudança de capital ferroviário. Em primeiro lugar, o rápido crescimento e a imposição da ideologia dos EUA
denominada de Destruição Criativa por Shumpert fez com que o Brasil não só privilegiasse o modo rodoviário, mas também relegasse o modo ferroviário ao ostracismo. Depois, a mudança da capital do Rio de Janeiro para Brasília nos anos 60 assegurou a Sete Lagoas novamente um protagonismo uma vez que a rodovia que liga a antiga e a nova capital passa pela cidade e o eixo de desenvolvimento passou pela cidade. Em todo o Brasil o transporte ferroviário de cargas tem preferência sobre o mais importante patrimônio da sociedade que é o capital humano o que tem transformado as rodovias num cenário de guerra.

Hoje, o modelo centrado em apenas um modal mostra sinais de exaustão em todo o mundo. A lógica é criar uma
rede de transportes multimodal aproveitando o que cada meio de transporte apresenta de melhor. E os governos
já estão se movimentando. O Governo Estadual de Minas Gerais criou o programa Transporte sobre Trilhos Metropolitanos – TREM, visando o desenvolvimento de trens regionais. O trecho que liga Divinópolis a Sete  Lagoas “foi classificado como um dos 64 trechos do Brasil com potencial para a implantação do serviço de trens regionais pelo estudo do BNDES. Esse trecho possui uma área de influência expressiva, incluindo cidades mineiras com mais de 200 mil habitantes: Betim, Contagem, Sete Lagoas e Divinópolis”.

Estão previstas três estações em Sete Lagoas: Calsete, Sete Lagoas e Sete Lagoas Centro. Dessas, a única que
não possui trilhos é a Estação Central de Sete Lagoas, justamente a que durante 96 anos funcionou a estação de
passageiros e que poderá dar ao cidadão da cidade um novo padrão de mobilidade.

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Existe uma ressalva no trabalho do governo estadual informando que “as estações apresentadas são aquelas
existentes originalmente na ferrovia e não serão necessariamente aproveitadas no projeto final”. Pelo  ronograma da Agência em fevererio de 2013 estarão prontos tanto a modelagem Econômico-financeiro como a consolidação os projetos de engenharia e até fevereiro de 2014 será assinada a concessão.

No entanto, foi o Governo Federal quem criou o projeto mais ambicioso com a Empresa de Planejamento e Logística – EPL e uma carteira de projetos de 120 bilhões, dos quais 90 bilhões destinados a ferrovia. Entre eles estão as ferrovias Belo Horizonte – Salvador e Rio de Janeiro – Brasília, ambas podendo passar por Sete Lagoas e devendo ter um trem rápido de passageiros.

Sete Lagoas não pode perder o trem e deve insistir em manter os trilhos e a construção de um novo terminal de
cargas, mas precisa ir além e fomentar o transporte de passageiros o mais breve possível evitando ficar a reboque
do acaso. Para isso é preciso criar uma comissão de logística independente que assegure à Sete Lagoas uma
contrapartida ao caos que o transporte rodoviário se transformou e que tem ceifado centenas de vida da cidade e região anualmente.

Passado e futuro se unem em Sete Lagoas e o Museu Ferroviário que insiste em lembrar do passado de glórias das
ferrovias, em breve, poderá conviver com uma nova ambientação ferroviária: a volta dos Trens de Passageiros.

1 thought on “Sete Lagoas – Logísticas para o Século XXI”

  1. SERÁ DE GRANDE INVESTIDURA DO GOVERNO FEDERAL PARA ALAVANCAR O PROGRESSO PARA O NOSSO PAÍS, ALÉM DE SER UM TRANSPORTE DE GRANDE RELEVÂNCIA PARA CARGAS INDUSTRIAIS SERÁ TAMBÉM EXCELENTE PARA NÓS PASSAGEIROS CRUZAR O BRASIL, COM CONFORTO E RAPIDEZ. LOUVADO SEJA, QUE ESTE PROJETO NÃO FIQUE SÓ NAS GAVETAS DE NOSSOS GOVERNANTES, PARA UM FUTURO PRÓXIMO POSSAMOS TER UM TRANSITO MAIS LIMPO E MENOS POLUENTES NOS GRANDES CENTROS URBANOS. ESTAMOS AGUARDANDO ESTA REVOLUÇÃO. PARABÉNS SETE LAGOAS, DIVINOPÓLIS, BELO HORIZONTE POR ESTA LIGAÇÃO FERROVIÁRIA, EXEMPLO PARA O NOSSO BRASIL.

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